OCO Residência Artístico-Tecnológica
Edital N1 do Cambará Instituto de Arquitetura Afro-Brasileira
Em julho de 2025, realizamos “OCO”, nossa primeira residência artístico-tecnológica voltada exclusivamente para arquitetas negras no Brasil, 100% gratuita. Com o subsídio do Rearc Institute, organização filantrópica dinamarquesa; e em parceria com o Cerbambu, centro de referência em bambuzeria que sediou a iniciativa em Ravena, Minas Gerais; reunimos 6 profissionais do norte, do nordeste, do centro-oeste e do sudeste brasileiros, selecionadas através do Edital n.01/25 que abrimos.
Premissas e Conceito
Nomeamos a residência de “OCO” por ser uma palavra que carrega em si a simbologia do bambu, material central da experiência que propusemos, cuja força e leveza estão no vazio que o constitui e, por isso mesmo, possibilita novos fluxos, sons e criações.
Necessidade de criar espaços onde nossos processos criativos passem por lugares não violentos
Como fazer arquitetas do tempo presente se encontrarem com práticas arquitetônicas e saberes enraizados no corpo, na terra e nas formas coletivas de construção? Por meio de uma agenda de seis dias, que incluiu aulas teóricas e práticas ministradas pelo mestre Lucio Ventania em sua oficina, palestras da filósofa, dramaturga e pesquisadora Leda Maria Martins e da jornalista, ativista e colunista Etiene Martins, e momentos muito especiais de convívio.
O Desafio
Durante a jornada de quase uma semana, um objetivo maior guiou toda a programação da residência: fazer com que as residentes aprendessem as técnicas da bambuzeria, praticassem o conhecimento e colocassem de pé, com o apoio da equipe do Cerbambu e do nosso instituto, uma obra de arte em formato de escultura, com uma estrutura de x metros, inspirada nas xossas africanas, feita de bambu e apta para receber múltiplas atividades e visitantes em seu interior.
Com o objetivo cumprido e uma vez pronta, a obra intitulada com o mesmo nome da residência foi exposta na 14ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, cujo tema foi “Extremos: Arquiteturas para um mundo quente”. A informação oficial é de que 45 mil pessoas visitaram a BIA, entre setembro e outubro do último ano, para conferir de perto a escultura de “OCO” e as demais produções; e foram registradas 10,7 milhões de visualizações dos conteúdos da mostra pelas redes sociais.
Arquitetura Afro-Brasileira e o Ciclo do Impacto
Sendo coerentes com os pilares pré-estabelecidos dos valores que nos regem, consideramos contempladas as seguintes perspectivas da residência artístico-tecnológica “OCO”:
Diversidade
As 6 profissionais arquitetas residentes conectadas pertencem a origens, regiões, cidades e segmentos diversos da população negra e da arquitetura afro-brasileira -são elas Aisha Angele Leandro Dienne (AC), Bárbara Aparecida da Silva Francisco (MS), Elky Eliny Araújo dos Santos (BA), Jade Arantes Silva de Oliveira (SP), Monik Silva dos Santos (SP) e Vanessa dos Santos Vieira (RJ) -, o que demonstra nosso desejo de que a diversidade de nosso povo e atuação reflita as pessoas impactadas em nossas iniciativas. O que a arquitetura afro-brasileira tem e no que ela tem contribuído para a sociedade
Território
Além das arquitetas participantes da residência selecionadas pelo edital, 40 mulheres negras e/ou periféricas que fazem parte do Cerbambu e que moram nas vizinhanças do centro de referência trabalharam no processo de finalização da escultura “OCO", o que confirma o impacto socioeconômico territorial na vida da comunidade.
Coletividade
Entendendo o Cerbambu como um ente de projeção nacional e internacional também na luta pela equidade e pela inclusão da população negra através da cultura, concluímos que foi relevante, pedagógico e fortalecedor ter realizado esta iniciativa junto a seu time, de modo a ter estreitado laços de profunda cooperação com tal instituição negra, estética e eticamente.
Celebramos essa importante conquista coletiva, que reafirma o compromisso do nosso programa com o fortalecimento de redes, a valorização das trajetórias de mulheres negras na arquitetura e o fomento a práticas que transformem os territórios.
Legado e Criação
Criar a partir de nossa herança diaspórica sob a luz de nossas e nossos contemporâneos que produzem o novo da arquitetura afro-brasileira, é a meta do que fazemos. Neste sentido, tanto a jornada de aprendizado da residência quanto o resultado material da mesma revelam que foi possível promover visibilidade, valorizar o legado e fomentar práticas inovadoras e sustentáveis.
Resultados
6 Arquitetas negras residentes | 5 regiões representadas | 5 estados representados
1 instituição negra parceira |1 território impactado | 1 obra construída | 1 participação em bienal internacional



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